Como Ciclar um Aquário Novo -

Como Ciclar um Aquário Novo

Aquário em 12.05.2010

Meu aquário no escritório em 12.05.2010

Desde que comecei a escrever sobre aquarismo venho vinculando os assuntos com a minha experiência prática. Anteriormente citei os primeiros ítens adquiridos para um novo aquário e também como se deu a escolha das plantas.

Não poderia falar de outro assunto agora se não sobre como começar um novo aquário. O processo inicial, após montar o aquário com seus equipamentos, substrato e decoracão, exige paciência. É neste momento que adicionamos a água, que deve ser corretamente preparada, e então é necessário que uma série de bactérias desenvolvam-se antes que os peixes comecem a fazer parte do sistema.

Fica mais fácil conduzir esse processo e respeitar o tempo necessário para que ele ocorra se entendermos de fato como ele funciona.

Quando montamos um aquário novo adicionamos diversos ítens que irão interagir por toda a existência daquele conjunto. O material de fundo (o substrato, areia, pedras, cascalho, terra, etc), as plantas, os elementos filtrantes, a comida que é diariamente adicionada e é claro, os peixes, estarão constantemente realizando trocas. Uma parte delas é bem vísível: os peixes se alimentam, as plantas crescem, soltam folhas, os filtros passam a acumular material sólido, certas áreas do aquário começam a criar algas e assim por diante… Mas uma parte muito maior e importate dessa troca acontece, na maior parte do tempo, sem que possamos ver. É o ciclo do nitrogênio.

Ciclo Nitrogênio

Ciclo do Nitrogênio

O Ciclo do Nitrogênio é o processo onde substâncias tóxicas aos peixes, como a amônia, são convertidas em substâncias menos tóxicas. Este processo ocorre na natureza e como o aquário é um mundo em miniatura, devemos prepará-lo para que nele este processo também seja viável. E no nosso caso, quem viabiliza este processo é um grupo específico de bactérias. Por isso, antes de adicionarmos peixes ao aquário, devemos criar um ambiente favorável ao aparecimento e fixação destas bactérias. Este processo leva alguns dias (ou talvez semanas), dependendo do método usado.

Devemos inicialmente adicionar uma pequena quantidade de matéria orgânica no aquário, que por sua vez irá se decompor e liberar amônia. Esta amônia serve de alimento para a pequena quantidade de bactérias já existentes na água. Providas de alimento, as bactérias irão se multiplicar e se fixar nas superfícies porosas (no substrato, nas pedras, nos elementos filtrantes e até mesmo na superfície do caule das plantas e vidros). Uma vez que existam bactérias suficientes, os níveis de amônia e outros compostos baixam e podemos considerar que a ciclagem do aquário está completa.

Existem diversos métodos para ciclar um aquário novo, alguns mais rápidos, outros mais lentos. Alguns indicam o uso de um único peixe “cobaia”, outros recomendam o aproveitamento de água já ciclada de um aquário antigo… Mas todos os métodos têm o mesmo objetivo: desenvolver colônias de bactérias. Explico abaixo os métodos mais conhecidos, e no final do artigo comento sobre minha experiência prática:

Ciclagem com Peixe “Cobaia”: Este é o método mais tradicional, onde adicionamos um ou mais peixes pequenos e resistentes no aquário, para que estes forneçam o material orgânico necessário para a formação das colônias de bactérias. Após a adição dos peixes, devemos trocar 15% da água a cada dois dias, e manter este processo por uma semana. Neste ponto, devemos realizar os testes de amônia, nitritos e nitratos, que devem indicar um nível alto para amônia e talvez um pouco de nitritos. Isso indica que os peixes estão fornecendo o material orgânico necessário, e que já existem bactérias convertendo amônia em nitritos. Devemos manter o processo de ciclagem por mais 4 semanas, ou até que os níveis de amônia e nitrito tenham caído a zero. A partir de então podemos começar a adicionar os demais peixes ao aquário, nunca todos de uma só vez, pois isso causaria um novo desequilíbrio no ciclo, permitindo um aumento repentino na quantidade de amônia na água.

Este método é eficaz, mas considero lento e arriscado pois expõe alguns peixes a um ambiente hostil e pode provocar surtos de doenças no aquário antes mesmo que ele esteja completamente montado.

Ciclagem sem Peixe: Neste método não adicionamos peixes, apenas as plantas e uma pequena quantidade de comida. Esta última irá se decompor e fornecer a amônia necessária para a formação das colônias de bactérias. Alguns aquaristas também usam amônia líquida (usada como produto de limpeza) no processo de ciclagem, mas eu considero este processo perigoso pois pode aumentar de forma muito brusca a quantidade de amônia disponível e, dependendo da qualidade do produto pode adicionar componentes químicos indesejáveis a água.

Iniciamos essa ciclagem adicionando algumas pitadas de comida em flocos ao aquário, processo que deve ser repetido diariamente. Note que devemos adicionar uma pequena quantidade a cada dia, evitando um possível descontrole nos níveis de amônia. Passada a primeira semana, podemos começar a acompanhar o nível de amônia na água. Caso seja maior que 5 ppm, devemos reduzir ou parar a adição de comida. Durante este processo de ciclagem, a água do aquário não deve ser trocada. Em até um mês o ciclo deve estar concluído e as medições de amônia e nitritos muito próximas de zero. Se a medição de nitratos acusar alta, trocas parciais de água (20%) devem ser realizadas diariamente até que a medição de nitratos esteja abaixo de 10ppm. Assim que estes parâmetros sejam alcançados, podemos iniciar a adição gradual dos peixes.

Ciclagem usando água de um aquário antigo: Este é um dos métodos mais rápidos. Consiste em completar metade do tanque com água de um aquário já estabelecido e a outra metade com água nova. Desta forma, estaremos trazendo uma grande quantidade de bactérias já desenvolvidas, bem como quantidades aceitáveis de amônia, nitritos e nitratos. No caso de aquários com elemento filtrante removível (pelets de carvão ativado, filtros de esponja, etc) também pode ser interessante aproveitar o elemento filtrante de um aquário antigo no aquário novo. Devemos manter o aquário ciclando por 2 ou 3 dias, adicionando uma pitada de comida diariamente para fornecer às bactérias uma fonte de amônia. Se possível, realizar testes de amônia, nitritos e nitratos até que os valores de amônia e nitritos estejam próximos de zero. Em menos de uma semana seu aquário estará pronto para receber os novos peixes.

Este método é muito rápido e eficaz, porém, devemos ter cuidado ao escolher o aquário que servirá como matriz (fornecedor da água) pois além das bactérias benéficas podemos trazer algas, doenças ou compostos indesejáveis ao novo aquário.

Ciclagem com acelerador biológico: Existem produtos para aquário que atuam acelerando o processo de ciclagem do aquário. Alguns produtos prometem conter bactérias vivas, outros, prometem fornecer componentes que favorecem o aparecimento das bactérias atuantes no ciclo do nitrogênio. Quando optamos por este método, devemos lembrar que não basta dosar o produto no aquário e considerá-lo ciclado. Mesmo que o produto realmente forneça bactérias vivas, devemos aguardar o tempo necessário para a fixação e formação de colônias, bem como a normalização dos parâmetros da água, pois só então poderemos contar com alguma estabilidade no sistema.


Aquário Ciclando sem Peixes

Aquário Ciclando sem Peixes

Confesso que no passado desrespeitei diversas vezes o tempo necessário para ciclagem do aquário. Isso me custou alguns peixes, problemas com água turva, descontrole de algas, etc… Mas, a experiência acabou ensinando que este processo é sim muito importante e uma vez concluído, garante uma biologia consistente ao aquário.

No último aquário que montei (foto ao lado), usei o método de ciclagem sem peixes. O material orgânico foi fornecido pelas plantas e o tempo de ciclagem foi grande, praticamente um mês. Neste período acompanhei o surgimento de algas (indicando um aumento na quantidade de nitratos) mas que logo foi resolvido com as trocas parciais de água. Atualmente, apesar do reduzidíssimo tamanho do aquário, basta que eu faça trocas semanais de 40% da água com boa sifonagem do fundo para que a biologia se mantenha estável.

E você? Conhece algum método diferente de ciclagem? Compartilhe suas experiências nos comentários!



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Escrito por Tiago Loges

Tiago Loges trabalha com TI, gosta de tecnologia, pescaria e aquário. Também tem outros hobbies e histórias pra contar, mas pra saber disso você deve acompanhar o www.loges.com.br Tiago Loges adicionou as seguintes tags: , , , , , , , , , , Leia outros 15 artigos de
 6 comentários Deixe um comentário
  1. Bob says:

    Olá Tiago,

    Suas dicas foram muito importantes para que eu pudesse esclarecer minha dúvidas acerca da ciclagem.
    O que eu gostaria de saber, é que um amigo meu ciclou primeiro o substrato (areia de filtro de piscina) durante duas semanas num balde, adicionando água até que o aquário dele fosse recebido da empresa que ele comprou, daí já com o substrato pré-ciclado, adicionou-o no aquário e fez toda a montagem, deixando-o mais suscetível às bactérias desenvolvidas.
    A pergunta que não quer calar, isso pode ser recomendável para uma aceleração biológica ao menos reduzindo a ciclagem total (30 dias) para uns supostos 15 dias?
    Obrigado!

    • Tiago Loges says:

      Olá Bob!!
      A respeito da ciclagem prévia, ela pode sim auxiliar na redução do tempo necessário para a ciclagem total aquário, porém, é importante lembrar que não basta unir água+substrato para dar começo ao desenvolvimento da biologia necessária. Recomendo que seja seguido um dos processos tradicionais de ciclagem (com peixe cobaia, com adição de comida, etc) mesmo que ocorra dentro de outro recipiente que não o aquário. Também é necessário lembrar que existe a necessidade de preparação do filtro biológico. Tanto os filtros de placa (de fundo) como os externos (tipo mochila, canister, etc) precisam de algum tempo até que se fixem colônias de bactérias em seus elementos filtrantes. De qualquer forma, 15 dias é um período bastante curto para uma ciclagem, principalmente se existir a intenção de adicionar peixes sensíveis.
      Se for realmente necessário reduzir o tempo total para montagem, tratamento da água e ciclagem, eu recomendo então que se usem produtos como o Aqua Safe (para eliminar cloro e metais pesados da água) e o Stress Zyme, que auxilia no desenvolvimento de bactérias. Estes produtos são facilmente encontrados nas lojas especializadas.
      E uma última dica, para ciclagem curta ou normal: adicionar os peixes ao novo aquário em pequenos grupos, em intervalos de uma semana, dos mais resistentes aos mais sensíveis, de forma que não ocorra uma variação muito brusca na quantidade de material orgânico disponível no aquário VS tamanho das colônias de bactérias. Desta forma fica mais fácil manter o aquário estável justamente no período mais crítico.
      Bob, espero ter ajudado a sanar suas dúvidas! Continue acompanhando o site, pois devo adicionar em breve um artigo a respeito dos produtos que citei acima.
      Abraços!

  2. Carlos Henrique says:

    Oi,
    Pode me ajudar, queria saber qual a capacidade desse aquário mostrado, e quais plantas estão dentro dele.
    vlw

  3. LUIS FERNANDO says:

    Ola Tiago,

    EU TENHO DOIS AQUARIOS DE CAPACIDADE DE 20 L CADA E CRIO CARPAS PEQUENAS, A MINHA DUVIDA É A SEGUINTE EU LIMPO ELES TIRANDO METADE DA AGUA PASSANDO UMA ESPONJA NAS PAREDES E DEPOIS EU COMPLETO COM NOVA AGUA, EU QUERIA SABER SE É NECESSARIO LIMPAR TODO O FILTRO BIOLOGICO OU CONTINUO FAZENDO DESTA MANEIRA.

    OBRIGADO

  4. Elzio says:

    Galera, vendo estes posts me veio a seguinte pergunta…
    “A amonia em excesso pode vir a causar os sintomas de barriga seca ou tuberculose???”
    Esta questão me veio a cabeça depois de inserir num aqua de 65 litros que continha 25 lebistes de 3 meses uma nova ninhada de 101 molinesias (15 dias), onde ao passar alguns dias, começaram a aparecer alguns sintomas de tuberculose e mortes de alguns goopyes. Alguem pode ajudar?

    Abrç

    Elzio

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