Em Abril desse ano retomei um hobby antigo, o aquarismo.
Meus primeiros contatos com aquários, peixes e toda a tralha envolvida foram ainda na infância. Guri de apartamento, como se diz, o aquário era o “brinquedo” perfeito para um espaço mais confinado.
E o que era parte da decoração e responsabilidade do meu pai, foi cada vez mais ficando sob os meus cuidados. Este primeiro aquário, de 50 litros, foi mantido por muitos anos. Pra falar a verdade nem consigo lembrar de todas as espécies de peixes que passaram por ele, mas lembro que antes de desativá-lo tivemos um Oscar, que tratou de adiantar boa parte do processo de desmonte do aqua!
Depois de mais de uma década parado resolví instalar um aquário na minha mesa do trabalho. Sim! Um aquário no meu local de trabalho, por que não?
Comecei a pesquisar sobre o assunto. Vários fatores eram importantes, considerar o espaço reduzido, o período que eu teria para tratar peixes, água, plantas, o fato de eu passar alguns dias afastado (finais de semana, viagens, etc), o inverno gaúcho rigoroso que se aproximava… Tudo parecia um desafio.
A primeira etapa, escolher o tamanho do aquário, foi facilitada pelo fato de eu já ter em casa um aquário de 8 litros com a frente convexa. Este tamanho tão reduzido por sí só somava mais um desafio (menor o aquário, menor a estabilidade do sistema). Mas considerando o espaço disponível, parecia adequado.
Por experiências anteriores, sabia que deveria deixar o aquário ciclar por um bom tempo até poder adicionar os peixes. Por isso, comecei comprando o equipamento básico:
O filtro biológico: O filtro biológico através de placas de fundo, abaixo do substrato, é o método mais simples de filtro. Porém, num aquário de tamanho reduzido e sem a possibilidade de um bastidor para equipamentos, me pareceu a opção mais adequada. Além disso, toda a minha experiência com aquários até então foi com este tipo de filtro.
De uma maneira resumida, o filtro biológico de fundo funciona em conjunto com uma bomba submersa ou com torres de aeração. O sistema força a passagem da água do aquário pelo substrato (cascalho ou areião). Neste processo ocorrem dois tipos de filtração: em uma primeira etapa, sólidos suspensos são depositados no substrato, clarificando a água. Por conseqüencia desses depósitos e do fluxo da água, formam-se colônias de bactérias neste substrato e nas placas biológicas. As colônias de bactérias são responsáveis por converter dejetos tóxicos provenientes dos peixes e da composição de materiais orgânicos em componentes menos tóxicos. Basicamente ocorre a conversão de amônia em nitritos e nitratos (sendo este último o menos tóxico para o aquário).
Bomba Submersa: Conforme citei anteriormente, a bomba submersa opera em conjunto com o filtro biológico (no meu tipo de setup). Além de forçar a passagem da água pelo substrato e pelas placas biológicas, a bomba submersa conta com um dispostivo que auxilia na oxigenação da água, adicionando na saída da bomba bolhas de ar captadas do ambiente por vácuo.
Devemos calcular a capacidade da bomba conforme o volume em litros do aquário. Para bombas de simples circulação de água a capacidade litros/hora não se faz tão importante, mas no meu caso, onde ela é responsável pelo funcionamento do filtro biológico, recomenda-se a escolha de uma bomba com uma vazão de 5 ou 10 vezes o volume do aquário (o que no meu caso não foi tão difícil…)
Substrato: Item que dá maior ambientação e realismo ao aquário, desempenha vários papéis importantes. O substrato serve de fixação para plantas, como filtro mecânico e biológico para aquários com placa de fundo (como por exemplo o meu), serve de esconderijo e reduz o stress dos peixes e é um ótimo local para a instalação de colônias de bactérias benéficas para o aqua.
A escolha do tipo de substrato deve ser feita pensando tanto no aspecto visual como na funcionalidade do aquário. A existência de plantas, a inclusão de placas de fundo, a necessidade de esconderijo dos peixes, são fatores a considerar. O mais comum é o uso de cascalho ou pedra rolada (imagem ao lado), e areião. No meu aquário, por exemplo, optei por areião (parte de baixo) coberta por cascalho. Passados alguns meses, parcebí que os peixes estão aos poucos invertendo a ordem do substrato. A minha Corydora e os meus Platis estão aprendendo a “fuçar” o fundo em busca de comida, o que é bom para evitar depósitos em excesso e a compactação da areia.
Iluminação: Assim como a maioria dos equipamentos para aquário, a iluminação também cumpre o papel de simular o que ocorre na natureza. A necessidade de uma boa fonte de luz é importante para os peixes, afim de manter seus hábitos naturais, mas é indispensável para as plantas, que dependem dela para realizar o processo de fotossíntese (sua alimentação). Na fotossíntese, as plantas usam a energia luminosa para a síntese a partir do gás carbônico presente na água (CO2) e a própria água (H2O), resultando em glicose (CH2O), oxigênio (O2) e água (H2O).
O sistema de iluminação mais comum em aquários é através de fluorescentes. A temperatura alta de cor permite uma boa visualização dos peixes e suas cores, e a radiação UV residual geralmente é suficiente para fornecer energia suficiente as plantas. Existem vários cálculos referentes a quantidade de luz suficiente para a correta manutenção do aquário. Depois de pesquisar um pouco a respeito, considerei que usando uma lâmpada fluorescente, 1 watt por litro seria um valor razoável.
Existem sistemas mais complexos, com lâmpadas especiais e arranjos com diferentes tipos de luz, geralmente usados em aquários marinhos com presença de corais ou aquários muito plantados.
No meu caso, devido ao tamanho reduzido do aquário, optei por comprar uma luminária de mesa (foto ao lado) e dedicá-la a iluminação do aquário. Isso facilitou muito o acesso para manutenção (a haste articulada funciona muito bem) e permitiu a instalação simples de uma lâmpada fluorescente eletrônica.
Com os ítens acima iniciei o setup do aquário. A instalação das placas de fundo demandaram algumas adaptações, para melhor posicionamento da torre da bomba submersa. Evitei ao máximo o uso de colas ou qualquer tipo de produto químico, por isso usei presilhas plásticas para fixação das placas. Isso tudo escondido pelo substrato.
Também adicionei algumas plantas. Todos me diziam que isso seria um desafio muito grande para um aquário deste tamanho, mas passados 5 meses posso dizer que o sucesso com as plantas foi muito maior que o esperado, tanto que faço podas semanais! Falarei mais a respeito das plantas em artigos futuros.
Abaixo algumas fotos do aquário no dia da montagem inicial, 13/04/2010:
Os próximos artigos tratarão em detalhes dos outros aspectos da montagem do aquário, como a escolha das plantas, suas características, o tempo de ciclagem antes de adicionar os peixes, produtos usados para tratamento da água, etc…
Se você tiver alguma pergunta a respeito do setup do meu aqua ou estiver passando por um processo parecido, deixe um comentário abaixo!!








Meu menino!!!!!! Parabéns pela qualidade do teu site. Já podes pensar em projetar um novo aquário em em casa. O patrocínio está garantido!!!
Um forte quebra costela do teu pai.