Filed under Aquarismo by Tiago Loges on 25 August, 2010 at 23:02
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Meu aquário no escritório em 12.05.2010
Desde que comecei a escrever sobre aquarismo venho vinculando os assuntos com a minha experiência prática. Anteriormente citei os primeiros ítens adquiridos para um novo aquário e também como se deu a escolha das plantas.
Não poderia falar de outro assunto agora se não sobre como começar um novo aquário. O processo inicial, após montar o aquário com seus equipamentos, substrato e decoracão, exige paciência. É neste momento que adicionamos a água, que deve ser corretamente preparada, e então é necessário que uma série de bactérias desenvolvam-se antes que os peixes comecem a fazer parte do sistema.
Fica mais fácil conduzir esse processo e respeitar o tempo necessário para que ele ocorra se entendermos de fato como ele funciona.
Quando montamos um aquário novo adicionamos diversos ítens que irão interagir por toda a existência daquele conjunto. O material de fundo (o substrato, areia, pedras, cascalho, terra, etc), as plantas, os elementos filtrantes, a comida que é diariamente adicionada e é claro, os peixes, estarão constantemente realizando trocas. Uma parte delas é bem vísível: os peixes se alimentam, as plantas crescem, soltam folhas, os filtros passam a acumular material sólido, certas áreas do aquário começam a criar algas e assim por diante… Mas uma parte muito maior e importate dessa troca acontece, na maior parte do tempo, sem que possamos ver. É o ciclo do nitrogênio.

Ciclo do Nitrogênio
O Ciclo do Nitrogênio é o processo onde substâncias tóxicas aos peixes, como a amônia, são convertidas em substâncias menos tóxicas. Este processo ocorre na natureza e como o aquário é um mundo em miniatura, devemos prepará-lo para que nele este processo também seja viável. E no nosso caso, quem viabiliza este processo é um grupo específico de bactérias. Por isso, antes de adicionarmos peixes ao aquário, devemos criar um ambiente favorável ao aparecimento e fixação destas bactérias. Este processo leva alguns dias (ou talvez semanas), dependendo do método usado.
Devemos inicialmente adicionar uma pequena quantidade de matéria orgânica no aquário, que por sua vez irá se decompor e liberar amônia. Esta amônia serve de alimento para a pequena quantidade de bactérias já existentes na água. Providas de alimento, as bactérias irão se multiplicar e se fixar nas superfícies porosas (no substrato, nas pedras, nos elementos filtrantes e até mesmo na superfície do caule das plantas e vidros). Uma vez que existam bactérias suficientes, os níveis de amônia e outros compostos baixam e podemos considerar que a ciclagem do aquário está completa.
Existem diversos métodos para ciclar um aquário novo, alguns mais rápidos, outros mais lentos. Alguns indicam o uso de um único peixe “cobaia”, outros recomendam o aproveitamento de água já ciclada de um aquário antigo… Mas todos os métodos têm o mesmo objetivo: desenvolver colônias de bactérias. Explico abaixo os métodos mais conhecidos, e no final do artigo comento sobre minha experiência prática:
Ciclagem com Peixe “Cobaia”: Este é o método mais tradicional, onde adicionamos um ou mais peixes pequenos e resistentes no aquário, para que estes forneçam o material orgânico necessário para a formação das colônias de bactérias. Após a adição dos peixes, devemos trocar 15% da água a cada dois dias, e manter este processo por uma semana. Neste ponto, devemos realizar os testes de amônia, nitritos e nitratos, que devem indicar um nível alto para amônia e talvez um pouco de nitritos. Isso indica que os peixes estão fornecendo o material orgânico necessário, e que já existem bactérias convertendo amônia em nitritos. Devemos manter o processo de ciclagem por mais 4 semanas, ou até que os níveis de amônia e nitrito tenham caído a zero. A partir de então podemos começar a adicionar os demais peixes ao aquário, nunca todos de uma só vez, pois isso causaria um novo desequilíbrio no ciclo, permitindo um aumento repentino na quantidade de amônia na água.
Este método é eficaz, mas considero lento e arriscado pois expõe alguns peixes a um ambiente hostil e pode provocar surtos de doenças no aquário antes mesmo que ele esteja completamente montado.
Ciclagem sem Peixe: Neste método não adicionamos peixes, apenas as plantas e uma pequena quantidade de comida. Esta última irá se decompor e fornecer a amônia necessária para a formação das colônias de bactérias. Alguns aquaristas também usam amônia líquida (usada como produto de limpeza) no processo de ciclagem, mas eu considero este processo perigoso pois pode aumentar de forma muito brusca a quantidade de amônia disponível e, dependendo da qualidade do produto pode adicionar componentes químicos indesejáveis a água.
Iniciamos essa ciclagem adicionando algumas pitadas de comida em flocos ao aquário, processo que deve ser repetido diariamente. Note que devemos adicionar uma pequena quantidade a cada dia, evitando um possível descontrole nos níveis de amônia. Passada a primeira semana, podemos começar a acompanhar o nível de amônia na água. Caso seja maior que 5 ppm, devemos reduzir ou parar a adição de comida. Durante este processo de ciclagem, a água do aquário não deve ser trocada. Em até um mês o ciclo deve estar concluído e as medições de amônia e nitritos muito próximas de zero. Se a medição de nitratos acusar alta, trocas parciais de água (20%) devem ser realizadas diariamente até que a medição de nitratos esteja abaixo de 10ppm. Assim que estes parâmetros sejam alcançados, podemos iniciar a adição gradual dos peixes.
Ciclagem usando água de um aquário antigo: Este é um dos métodos mais rápidos. Consiste em completar metade do tanque com água de um aquário já estabelecido e a outra metade com água nova. Desta forma, estaremos trazendo uma grande quantidade de bactérias já desenvolvidas, bem como quantidades aceitáveis de amônia, nitritos e nitratos. No caso de aquários com elemento filtrante removível (pelets de carvão ativado, filtros de esponja, etc) também pode ser interessante aproveitar o elemento filtrante de um aquário antigo no aquário novo. Devemos manter o aquário ciclando por 2 ou 3 dias, adicionando uma pitada de comida diariamente para fornecer às bactérias uma fonte de amônia. Se possível, realizar testes de amônia, nitritos e nitratos até que os valores de amônia e nitritos estejam próximos de zero. Em menos de uma semana seu aquário estará pronto para receber os novos peixes.
Este método é muito rápido e eficaz, porém, devemos ter cuidado ao escolher o aquário que servirá como matriz (fornecedor da água) pois além das bactérias benéficas podemos trazer algas, doenças ou compostos indesejáveis ao novo aquário.
Ciclagem com acelerador biológico: Existem produtos para aquário que atuam acelerando o processo de ciclagem do aquário. Alguns produtos prometem conter bactérias vivas, outros, prometem fornecer componentes que favorecem o aparecimento das bactérias atuantes no ciclo do nitrogênio. Quando optamos por este método, devemos lembrar que não basta dosar o produto no aquário e considerá-lo ciclado. Mesmo que o produto realmente forneça bactérias vivas, devemos aguardar o tempo necessário para a fixação e formação de colônias, bem como a normalização dos parâmetros da água, pois só então poderemos contar com alguma estabilidade no sistema.

Aquário Ciclando sem Peixes
Confesso que no passado desrespeitei diversas vezes o tempo necessário para ciclagem do aquário. Isso me custou alguns peixes, problemas com água turva, descontrole de algas, etc… Mas, a experiência acabou ensinando que este processo é sim muito importante e uma vez concluído, garante uma biologia consistente ao aquário.
No último aquário que montei (foto ao lado), usei o método de ciclagem sem peixes. O material orgânico foi fornecido pelas plantas e o tempo de ciclagem foi grande, praticamente um mês. Neste período acompanhei o surgimento de algas (indicando um aumento na quantidade de nitratos) mas que logo foi resolvido com as trocas parciais de água. Atualmente, apesar do reduzidíssimo tamanho do aquário, basta que eu faça trocas semanais de 40% da água com boa sifonagem do fundo para que a biologia se mantenha estável.
E você? Conhece algum método diferente de ciclagem? Compartilhe suas experiências nos comentários!
Filed under Aquarismo by Tiago Loges on 22 August, 2010 at 19:38
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Seguindo a série de artigos sobre o novo aquário que montei ha alguns meses, falo agora sobre as plantas.
Minha proposta inicial era a de um aquário de manutenção simples, até porque não teria tanto tempo disponível para grandes procedimentos. (Hoje faço trocas parciais de água toda sexta-feira, momento que elegí para podas da plantas e pequenas alterações na decoração do aqua. Processo que leva de 1 a 2 horas.)
Consultando as lojas na região, optei por 3 espécies diferentes:

Vallisneria Americana
Vallisneria Americana: Planta original dos Estados Unidos, é muito comum em diversos tipos de aquário. Não depende de grande iluminação, é resistente e desenvolve-se rapidamente. Cresce até um palmo de comprimento aproximadamente.
No meu aquário, após 1 mês plantada já havia gerado um broto. A planta cria raízes profundas e espalha-se por meio de brotações em regiões vizinhas. Atualmente tenho tantos brotos novos que já perdí a conta. A poda deve ser feita preferencialmente pela base das folhas, mas confesso que isso nem sempre é possível, e não representa problema para a planta.

Cabomba Caroliniana
Cabomba Caroliniana: É tida como boa oxigenadora e pode ser plantada ou mantida em flutuação. Exige boa iluminação e nesta condição cresce muito rapidamente.
No meu aquário a Cabomba desenvolveu-se rapidamente, porém, sua fixação no substrato não é tão boa quanto a da Vallisneria. A planta tem tendência a procurar a superfície e por isso cria longos caules. No meu caso isso chegou a ser um problema devido ao pequeno espaço disponível, mas atualmente mantenho a planta apenas atrás da estrutura da torre da bomba submersa. As podas são constantes e é possível fazer pegar novos brotos enterrando pequenos pedaços da planta.

Bacopa Monniera (?)
Bacopa: Pra falar a verdade ainda tenho dúvida que a espécie presente no meu aquário seja realmente uma Bacopa Monniera. Suas características são muito parecidas, mas a minha apresenta o caule com coloração avermelhada.
Em breve devo atualizar este artigo com a variedade específica da minha Bacopa, afinal existem mais de 100!
Outra planta que se adaptou muito bem, criando uma verdadeira “floresta” com seus caules mais rígidos e folhas abundantes. Serviu muito bem como esconderijo para os filhotes de Platís que surgiam inesperadamente.
Como o plantio ocorreu juntamente da acomodação inicial do substrato (na montagem do aquário), este foi um processo simples. Como o aquário ainda não contava com peixes e tudo era novo, optei por aumentar bastante a iluminação (em torno de 18h por dia) por duas semanas. Neste período já pode perceber a preferência das plantas por “buscar” os pontos de maior luminosidade, e o quanto isso afetaria a disposição das mesmas no longo prazo.
Eu optei por manter meu aquário ciclando por um mês antes de adicionar qualquer peixe, período que as plantas tiveram para se fixar e adaptar, bem como ajudar na criação de certa qantidade de materia orgânico para as colônias de bactérias.
Filed under Aquarismo by Tiago Loges on 15 August, 2010 at 11:48
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Em Abril desse ano retomei um hobby antigo, o aquarismo.
Meus primeiros contatos com aquários, peixes e toda a tralha envolvida foram ainda na infância. Guri de apartamento, como se diz, o aquário era o “brinquedo” perfeito para um espaço mais confinado.
E o que era parte da decoração e responsabilidade do meu pai, foi cada vez mais ficando sob os meus cuidados. Este primeiro aquário, de 50 litros, foi mantido por muitos anos. Pra falar a verdade nem consigo lembrar de todas as espécies de peixes que passaram por ele, mas lembro que antes de desativá-lo tivemos um Oscar, que tratou de adiantar boa parte do processo de desmonte do aqua!
Depois de mais de uma década parado resolví instalar um aquário na minha mesa do trabalho. Sim! Um aquário no meu local de trabalho, por que não?
Comecei a pesquisar sobre o assunto. Vários fatores eram importantes, considerar o espaço reduzido, o período que eu teria para tratar peixes, água, plantas, o fato de eu passar alguns dias afastado (finais de semana, viagens, etc), o inverno gaúcho rigoroso que se aproximava… Tudo parecia um desafio.
A primeira etapa, escolher o tamanho do aquário, foi facilitada pelo fato de eu já ter em casa um aquário de 8 litros com a frente convexa. Este tamanho tão reduzido por sí só somava mais um desafio (menor o aquário, menor a estabilidade do sistema). Mas considerando o espaço disponível, parecia adequado.
Por experiências anteriores, sabia que deveria deixar o aquário ciclar por um bom tempo até poder adicionar os peixes. Por isso, comecei comprando o equipamento básico:

Placa para filtro biológico
O filtro biológico: O filtro biológico através de placas de fundo, abaixo do substrato, é o método mais simples de filtro. Porém, num aquário de tamanho reduzido e sem a possibilidade de um bastidor para equipamentos, me pareceu a opção mais adequada. Além disso, toda a minha experiência com aquários até então foi com este tipo de filtro.
De uma maneira resumida, o filtro biológico de fundo funciona em conjunto com uma bomba submersa ou com torres de aeração. O sistema força a passagem da água do aquário pelo substrato (cascalho ou areião). Neste processo ocorrem dois tipos de filtração: em uma primeira etapa, sólidos suspensos são depositados no substrato, clarificando a água. Por conseqüencia desses depósitos e do fluxo da água, formam-se colônias de bactérias neste substrato e nas placas biológicas. As colônias de bactérias são responsáveis por converter dejetos tóxicos provenientes dos peixes e da composição de materiais orgânicos em componentes menos tóxicos. Basicamente ocorre a conversão de amônia em nitritos e nitratos (sendo este último o menos tóxico para o aquário).

Bomba Submersa
Bomba Submersa: Conforme citei anteriormente, a bomba submersa opera em conjunto com o filtro biológico (no meu tipo de setup). Além de forçar a passagem da água pelo substrato e pelas placas biológicas, a bomba submersa conta com um dispostivo que auxilia na oxigenação da água, adicionando na saída da bomba bolhas de ar captadas do ambiente por vácuo.
Devemos calcular a capacidade da bomba conforme o volume em litros do aquário. Para bombas de simples circulação de água a capacidade litros/hora não se faz tão importante, mas no meu caso, onde ela é responsável pelo funcionamento do filtro biológico, recomenda-se a escolha de uma bomba com uma vazão de 5 ou 10 vezes o volume do aquário (o que no meu caso não foi tão difícil…)

Substrato de Pedra Rolada
Substrato: Item que dá maior ambientação e realismo ao aquário, desempenha vários papéis importantes. O substrato serve de fixação para plantas, como filtro mecânico e biológico para aquários com placa de fundo (como por exemplo o meu), serve de esconderijo e reduz o stress dos peixes e é um ótimo local para a instalação de colônias de bactérias benéficas para o aqua.
A escolha do tipo de substrato deve ser feita pensando tanto no aspecto visual como na funcionalidade do aquário. A existência de plantas, a inclusão de placas de fundo, a necessidade de esconderijo dos peixes, são fatores a considerar. O mais comum é o uso de cascalho ou pedra rolada (imagem ao lado), e areião. No meu aquário, por exemplo, optei por areião (parte de baixo) coberta por cascalho. Passados alguns meses, parcebí que os peixes estão aos poucos invertendo a ordem do substrato. A minha Corydora e os meus Platis estão aprendendo a “fuçar” o fundo em busca de comida, o que é bom para evitar depósitos em excesso e a compactação da areia.

Luminária de Mesa
Iluminação: Assim como a maioria dos equipamentos para aquário, a iluminação também cumpre o papel de simular o que ocorre na natureza. A necessidade de uma boa fonte de luz é importante para os peixes, afim de manter seus hábitos naturais, mas é indispensável para as plantas, que dependem dela para realizar o processo de fotossíntese (sua alimentação). Na fotossíntese, as plantas usam a energia luminosa para a síntese a partir do gás carbônico presente na água (CO2) e a própria água (H2O), resultando em glicose (CH2O), oxigênio (O2) e água (H2O).
O sistema de iluminação mais comum em aquários é através de fluorescentes. A temperatura alta de cor permite uma boa visualização dos peixes e suas cores, e a radiação UV residual geralmente é suficiente para fornecer energia suficiente as plantas. Existem vários cálculos referentes a quantidade de luz suficiente para a correta manutenção do aquário. Depois de pesquisar um pouco a respeito, considerei que usando uma lâmpada fluorescente, 1 watt por litro seria um valor razoável.
Existem sistemas mais complexos, com lâmpadas especiais e arranjos com diferentes tipos de luz, geralmente usados em aquários marinhos com presença de corais ou aquários muito plantados.
No meu caso, devido ao tamanho reduzido do aquário, optei por comprar uma luminária de mesa (foto ao lado) e dedicá-la a iluminação do aquário. Isso facilitou muito o acesso para manutenção (a haste articulada funciona muito bem) e permitiu a instalação simples de uma lâmpada fluorescente eletrônica.
Com os ítens acima iniciei o setup do aquário. A instalação das placas de fundo demandaram algumas adaptações, para melhor posicionamento da torre da bomba submersa. Evitei ao máximo o uso de colas ou qualquer tipo de produto químico, por isso usei presilhas plásticas para fixação das placas. Isso tudo escondido pelo substrato.
Também adicionei algumas plantas. Todos me diziam que isso seria um desafio muito grande para um aquário deste tamanho, mas passados 5 meses posso dizer que o sucesso com as plantas foi muito maior que o esperado, tanto que faço podas semanais! Falarei mais a respeito das plantas em artigos futuros.
Abaixo algumas fotos do aquário no dia da montagem inicial, 13/04/2010:

Montagem inicial, substrato com relevo.

Detalhe da Iluminação

Minha antiga mesa (hoje mudou) e o aquário.
Os próximos artigos tratarão em detalhes dos outros aspectos da montagem do aquário, como a escolha das plantas, suas características, o tempo de ciclagem antes de adicionar os peixes, produtos usados para tratamento da água, etc…
Se você tiver alguma pergunta a respeito do setup do meu aqua ou estiver passando por um processo parecido, deixe um comentário abaixo!!